Wednesday, June 24

Férias de verão sem Solidão




Numa altura em que as férias de verão se começam a aproximar a passos largos, nunca é demais lembrar e apelar ao bom senso de todos aqueles que têm animais para que não os abandonem.


A todos aqueles que um dia optaram por deixar que um animal entrasse nas suas vidas vale a pena lembrar que não existem seres descartáveis nem incómodos em certos momentos da vida, muito menos quando esses momentos se baseiam na premissa de diversão despreocupada por parte dos donos.


A todos aqueles que estão em fase de planeamento e desejam adoptar um animal, vale a pena lembrar que adoptá-los não é simplesmente adoptar um animal, é adoptar um ser, uma vida que trás consigo alegrias e brincadeiras também responsabilidades, obrigações e despesas.


Já não há desculpas de "mau pagador" de que não há com quem ou onde os deixar, de que o dinheiro não cresce nas àrvores, ou de que simplesmente não há tempo para lhes dedicar ou não há casas de férias que os aceitem.


Aceitar que eles façam parte da nosso quotidiano, é criar um plano, é fazer cedências ou é simplesmente ter consciência e não os acolher porque não há capacidade ou predisposição para lidar com os valores e as mudanças a que a sua presença obriga.
Porque todas as decisões que se tomam têm consequências, umas menores, outras maiores, mas qualquer que seja essa decisão, o sofrimento nunca deve estar implícito nem sequer ser consequência. E por isso, pede-se que não se esqueçam de que se nós sentimos, eles, aqueles que nos animam e festejam a nossa chegada depois de um dia fora, também sentem!




Lembrar o que é acolher um animal :

Tuesday, June 16

A última fronteira


A dez mil metros de altitude e com o céu limpo, durante a noite, parece que toda a floresta se prepara para arder em chamas. São as queimadas, quase todas sem licença nem controlo, com que os sem-terra ou os grandes produtores agrícolas vão devastando, dia após dia, extensas áreas da selva amazónica para a converterem à agricultura. Há qualquer coisa de profundamente inquietante naquele espectáculo de centenas ou milhares de fogueiras ardendo lá em baixo: o pulmão do planeta arde, enquanto os chineses esperam pela soja ou pelo gado que ali há-de nascer e ser criado, onde antes havia a floresta tropical.

Por estes dias, o presidente brasileiro Luís Inácio 'Lula' da Silva tem na sua mesa uma proposta do Congresso, a MP 458, que, se obtiver a sua assinatura, representará um retrocesso de trinta anos numa política já de si bastante condescendente de preservação da mata amazónica. A proposta, assim como a situação actual na Amazónia, foram, a semana passada, alvo de uma condenação violenta e concertada de todas as organizações ambientalistas mundiais e brasileiras, com o WWLF e a Greenpeace à cabeça. Mas 'Lula', é fácil de perceber, está mortinho por assinar a lei. No seu espírito, não se trata de uma luta entre os 'ruralistas' e os ambientalistas, mas entre os sem-terra e os radicais ecologistas. A Amazónia é grande e Lula não vê grandes razões para que ela não vá sendo amputada aos poucos para satisfazer a "legítima ambição" dos 25 milhões de brasileiros que vivem nas margens da grande floresta, ansiando por uma oportunidade de terra, de criação de gado e de fixação na zona. E 'Lula' compreende bem o que lhes vai na cabeça: basta-lhe recordar-se do seu passado de "emigrante do pau-de-arara", fugindo com a mãe e os irmãos de um Nordeste onde só havia seca e fome para vir procurar outro futuro nas grandes cidades. Esse futuro ele encontrou-o, como trabalhador metalúrgico, sindicalista, deputado e, finalmente e contra toda a previsibilidade, Presidente da República. Tem sido, na minha opinião de observador externo, o melhor Presidente que o Brasil já teve desde a ditadura dos generais, mas é demasiado esperar dele uma visão política que vá além das satisfação, a qualquer preço, das necessidades básicas daqueles que lhe são próximos. O 'povo' de Lula é o que quer uma oportunidade, uma terra para cultivar e criar gado e, se isso, além do mais, favorece a balança comercial e dá de comer a mais gente, porque não há-de a Amazónia pagar a factura? Só nos dois primeiros anos do Governo Lula, em 2003 e 2004, 51.000km2 da floresta amazónica foram ocupados por 'posseiros', à revelia da lei. São esses invasores que a MP 458 vem agora regularizar, permitindo-lhes adquirir, a preços favoráveis, sem licitação e com condições de pagamento excepcional, as terras que eles roubaram ao património colectivo brasileiro que é a Amazónia. Mas não se pense que são apenas os pequenos agricultores sem terra os beneficiados: são todos, as grandes empresas produtoras de gado, os grandes fazendeiros agindo a coberto de testas-de-ferro, gente que nem sequer vive na Amazónia e que bem podiam dedicar-se à criação de gado em tantas outras extensas regiões do infindável território brasileiro. Só que o ecossistema da Amazónia - justamente devido à presença da floresta maciça - garante condições de fertilidade dos solos que são uma tentação a que ninguém resiste. Não resistem os que lá vivem, os produtores de gado e os políticos locais, os tais 'ruralistas', que dependem do voto dos que lá estão. E não resiste o Presidente, mesmo que o não quisesse e porque preso dentro de um absurdo sistema constitucional onde a sua base política maioritária não representa mais do que 15% do Congresso. E, por isso, não é apenas a Amazónia que todos os anos é esquartejada mais um pouco: nos últimos três anos, até a 'preservadíssima' Mata Atlântica - que outrora cobria todo o litoral brasileiro e entrava pelo interior, até ao coração de Minas, por exemplo - perdeu mais 100.000 hectares para a exploração pecuária.

No ano passado, houve um deputado norueguês que lançou o escândalo e a indignação nacionalista no Brasil, ao propor que a comunidade internacional, através das Nações Unidas, comprasse a Amazónia ao Brasil, para garantir a sua preservação. É preciso lembrar que a Amazónia não é apenas o território onde vivem algumas das últimas tribos de índios primitivos do planeta, não é apenas a maior reserva de diversidade de fauna e flora à face da terra, com inúmeras aplicações na medicina e outras áreas, não é apenas a maior bacia hidrográfica que se conhece: é também e sobretudo, um terço das reservas de oxigénio de todos os habitantes deste planeta. No dia que a Amazónia desaparecer, nós sufocamos: nós todos, e os brasileiros também.

Mas a proposta que tanto escandalizou o Brasil não é muito diferente, todavia, daquilo que Lula defende: é apenas menos imoral. Há dias, o Presidente brasileiro declarava o seguinte: "Não podemos aceitar o discurso dos países ricos que, enquanto produzem carros da melhor qualidade e comem da melhor qualidade, querem que a gente apenas preserve a floresta para eles terem o oxigénio que pensam que a Amazónia produz. Eles não podem querer que nós apenas preservemos para eles poderem respirar". Logo, concluía ele, "é preciso que os países, que já devastaram todas as suas florestas, comecem a pagar para que a gente preserve as nossas". Ele, Lula, "quer preservar a floresta, mas preciso cuidar dos 25 milhões de pessoas que vivem lá e que querem ter carro e geladeira". Este discurso é um clássico da demagogia terceiro-mundista. Os tais países ricos de que fala Lula - e que no passado, de facto, se comportaram com o Brasil como exploradores das suas riquezas - hoje são quem permite ao Brasil, mesmo em plena crise mundial, manter um superavit da balança comercial e do investimento externo. O que Lula propõe é que o resto do mundo pague ao Brasil para respirar - e porque Deus deu ao Brasil, entre tantas e tantas riquezas mal aproveitadas em benefício de tão poucos, essa imensa riqueza que é a Amazónia. Não é muito diferente do que propunha o deputado norueguês. Só que, enquanto este propunha comprar a Amazónia ao Brasil, Lula propõe apenas alugar o direito de respirar, mas salvaguardando o direito de tudo continuar na mesma, com o Brasil a roubar todos os anos um pouco mais de área à floresta, para que os 25 milhões de pessoas ou de votos tenham carro e 'geladeira'. E como para haver carros tem de haver estradas, o Governo brasileiro prepara-se para aprovar também o sinistro projecto da BR-319, uma via rápida que rasgará a Amazónia de sul a norte, a pretexto de não deixar Manaus isolada por terra do resto do Brasil.

E isto faz o Brasil, num momento em que os grandes predadores ambientais à escala planetária - os Estados Unidos e a China - já deram mostras de começar a levar a sério aquilo a que Lula chama displicentemente o "radicalismo ecologista". Obama está, aparentemente, a inverter de cima a baixo a política grosseiramente ignorante do patético George W. Bush, e os dirigentes chineses começam a aprender com os desastres ambientais causados por projectos megalómanos como a barragem das Três Gargantas e com um crescimento completamente desordenado e selvagem, que no futuro não muito distante haverá um alto preço a pagar por políticas que apenas olham aos interesses imediatos. A história do Brasil é uma sucessão de ciclos baseados numa aposta única em busca de um eterno eldorado que pudesse dispensar tudo o que fosse planeamento, crescimento sustentado, inteligência de gestão: o ciclo do algodão, o do ouro, o da borracha, o do café. Todos acabaram no desastre económico e social, por exaustão natural. É pena que a lição nunca mais seja aprendida.


Por Miguel Sousa Tavares in Expresso.pt - Segunda-feira, 15 de Jun de 2009


Tuesday, October 28

Ensaio sobre a Cegueira




"Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara."*



Uma rua, um carro, um motorista, um instante... e nesse mesmo instante, um marco na vida, a aparição súbita de uma cortina sobre a sua visão e a dura percepção da realidade, estava cego! Não era a escuridão de uma cegueira normal, de facto agora para si, e para todos aqueles que se seguiram, tudo era branco. Um surto, uma epidemia, os especialistas chamaram-lhe cegueira branca... Assim começa, de forma resumida, uma das melhores obras literárias portuguesas, que após ter sido adaptada por Fernando Meirelles brevemente dará entrada nas salas de cinema nacionais.

Lançada no ano de 1995, Ensaio sobre a cegueira, foi o título eleito por José Saramago para alimentar o imaginário dos seus leitores. À semelhança de muitas outras obras do autor, esta encontra-se repleta de situações metafóricas e até hiperbolizadas que podem ser assemelhadas à realidade mundial, mais especificamente à realidade social, funcionando como um alerta para a degradação constante dos seus princípios. Assim, mais do que um livro acerca de um ataque de cegueira que assola a generalidade da população, é um livro acerca da vaidade, da luxúria, da descoberta, da criminalidade, da desordem, da hierarquização, da luta, do preconceito, da riqueza, do lucro, da mentira, do individualismo, da perda de uma inocência que jamais existiu...

Com Ensaio sobre a Cegueira, Saramago sacode o pó que se acumulou sobre a visão turva da sociedade e põe a descoberto a mais pura das realidades. Ao fechar os olhos à sociedade abre janelas, permitindo que pela primeira vez a pobreza das almas veja a luz do dia. Poderá mesmo dizer-se que é ao retirar-lhes a visão, que se mostra a verdade dos seus ideais ao mundo, como se de súbito cada personagem caísse num individualismo extremo e demonstrasse sem pudores aquilo que antes lhes ia na mente e agora lhes vai "nas mãos".

Porque quem não sabe é como quem não vê ou neste caso, quem não vê é como quem não sabe, e assim todas as acções, apesar de assumidas perante outrem, são dotadas de um certo secretismo, porque se acredita que ali todos estão na mesma situação, ninguém vê... e porque naquele momento já ninguém conhece ninguém.

Contudo, no que concerne à intenção aparente deste livro, aos géneros literários que aborda, não é a Crítica mas sim o Romance que ocupa o suposto lugar principal. Este, que é conseguido de forma soberba através do relato de uma mulher, a única que não perde a capacidade de ver, e que ao seguir a pureza do seu amor assiste à decadência de um mundo que sempre existiu mas que nunca ninguém o viu... É também, através da existência desta mulher que toda a narrativa se torna ainda mais coesa, sendo que é a sua capacidade de ver que permite o relato fiel e visual de todas as situações e são os seus valores que nos guiam enquanto consciência moral ao longo de todo o livro.

No que diz respeito à dificuldade sentida por alguns leitores, esta não se prende, com facto de ser ou não uma leitura pesada, mas sim com a capacidade de aceitação e interiorização de uma realidade que se encontra despida de ilusões fantasiosas e descrita de forma dura e crua, não poupando ninguém à crueldade e violência de algumas das suas passagens.

Com a aproximação da estreia do filme, que é já no próximo dia 13, e a controvérsia gerada, advinha-se um grito de liberdade, a genialidade e exuberância de um livro que irá saltar do abandono de uma das imensas prateleiras da Fnac para a desprestigiante e deveras desconhecedora preferência mundial.

Em suma, e para todos os que criam estereótipos dos romances renegando-os à partida, esta é a prova de que os romances podem ser e conter muito mais do que uma simples e detalhada história de amor! E se este não é também um hino ao amor pela alma gémea, é certamente um reparo ao amor pela vida e por todas aquelas que coisas que olhamos mas não vemos, que não vemos e por isso não reparamos!


*in ensaio sobre a cegueira

Saturday, October 25

Rita Carmo


Beleza criada através de uma fusão entre os artistas, as personagens dos artistas, e um ambiente externo fabricado. Exposição muda de uma personalidade invisível. São assim as fotografias de uma das mais conceituadas fotografas portuguesas, Rita Carmo. Desde 1992 a fotografar pessoas, aperfeiçoou ao longo dos tempos a sua arte e as suas técnicas, criando fotografias dotadas de uma nudez psicológica (real ou imaginária) que prende o mais simples olhar. Fotografias que enchem as páginas de várias publicações periódicas, que já enriqueceram as paredes despidas das mais variadas salas de exposição, que em 2005 deram origem a um livro, as mesmas fotografias que já viajaram e ganharam vida na mente dos seus observadores. Meras tentativas de interpretação do imaginário e do real. Sem ser a genialidade de Annie Leibovitz, é o que, por cá, temos de mais parecido!!

Para ver e rever, os sites da Fotografa:

http://ritacarmo.blogspot.com/

http://ritacarmoaovivo.blogspot.com/





Saturday, October 18

O Poder das Mulheres

" A mão esquerda embala o berço. A direita governa o mundo".
Esta poderia ser uma frase retirada de uma mensagem política ou até de um diálogo de um filme. Contudo, pertencente a um anúncio, é pois, o seu caracter ambíguo que nos leva até à sua intenção real, a mensagem publicitária (ou neste caso parte dessa mensagem). A ideologia metafórica que acalenta e que engloba simultâneamente a vasta multiplicidade de sonhos, desejos, ambições, estilos de vidas e gostos que o sexo feminino assume actualmente, levaram a que este fosse o tema de mais uma campanha. Esta, presente numa conhecida revista de artigos femininos, ao despertar o processamento intelectual de uma jornalista norte americana levou-a a reflectir sobre a temática. O papel das mulheres na sociedade actual, e a consequente adaptação do marketing de algumas das principais empresas da economia mundial a esta mesma realidade foi assim o mote escolhido para a elaboração de "O Poder das Mulheres". Sendo um tema ainda actual, por certo todos nós já ouvimos falar acerca do desejo permanente da emancipação da mulher, assistindo de facto à transformação progressiva do seu papel no nosso quotidiano. Inerente a esta mesma adopção de novos papéis assiste-se a uma exposição a novas situações e temáticas e a uma consequente alteração nos interesses femininos. É desta forma que a Mulher dá entrada num mundo que já foi considerado como sendo exclusivamente masculino. Assim sendo, esta mulher, a mulher do século XXI passa a ter um papel activo (ou mais activo) na grande maioria das escolhas que anteriormente pertenciam aos homens. Comprar uma televisão, um dvd, um carro ou até mesmo montar um qualquer artigo vindo de um grande armazém de bricolage são nos dias de hoje acções que passaram a constar na mente feminina e palavras como HD ou Lambrim fazem agora parte do seu dicionário. Determinadas a proliferar num mundo que em tempos pertenceu aos homens, conferem assim às suas vidas e ao mundo um novo sentido da palavra independência.
É pois, tendo em conta todas estas tranformações que as empresas, enquanto sistemas modernos e de necessária e constante adequação ao mercado, começam a responder e a alargar o foco das suas atenções relativamente ao target de alguns productos/ serviços. Fara Warner insere-nos assim, através de uma contextualização histórico-social, no mundo das grandes empresas e na forma como os seus marketeers, habituados a comunicar com o target masculino e tendo em mãos artigos que até então a ele eram destinados, conseguiram fazê-los chegar ao seu "novo" target. Com a ajuda de case studies reais, e com uma escrita tradicionalmente americana, a autora transporta-nos desta forma numa autêntica viagem de conhecimento que atravessa múltiplas àreas comerciais. Kodak, Nike, Macdonalds e Procter & Gamble são apenas algumas das marcas enunciadas que nos dão a conhecer a sua destreza mental e estratégica.
Para além de um livro acerca do poder das mulheres, este é um livro acerca do poder das marcas (e já agora da inteligência de quem se encontra por trás delas).


P.S Não, as mulheres não são superiores aos homens e NÃO, este NÃO é mais um livro ou texto de ideologias femininistas. Mas... se os homens podem usar malas... as mulheres também podem trocar lâmpadas!

Tuesday, August 26

Acção Animal - Petição Código de Protecção dos Animais

Pensando sempre no bem estar dos animais, aqueles pequenos e grandes seres que muitas vezes levam vidas tristes e sofrem constantemente na crueldade das mãos do homem, a acção animal é mais uma instituição movida pela protecção dos nossos amigos de "quatro patas". Desta forma, e tal como qualquer outra instituição relacionada com o tema, não pode parar. Emerge assim uma necessidade urgente de nos alertar para aquilo que acontece a todos os animais que em vez de serem felizes, são dia após dia vítimas silenciosas daqueles que muitas vezes se dizem os seus melhores amigos. É pois a pensar em todas as situações de maus tratos que a Acção Animal lançou mais uma petição. Esta, dirigida ao Presidente da Assembleia da República visa a criação de um código de protecção dos animais actualizado e completo de forma a poder salvaguardar os animais e a punir todos aqueles que atentam contra o seu bem estar e até as suas vidas . Desta forma aquilo que se pede é justamente que façam dos próximos minutos o melhor do dia, se não do vosso pelo menos dos deles, cliquem no link que se encontra em baixo e deixem a vossa contribuição, a assinatura, por aqueles que sem terem culpa mais precisam.


Muito Obrigada!!!

Tuesday, May 27

Zero - "Quem é que tu pensas que és?"


ZERO*
“Quem é que tu pensas que és?”
Sempre que eu ouço essa pergunta tremo nas bases.
“Quem é que tu pensas que és?”
Nunca sei se a pergunta é a sério ou uma mera figura de
retórica.
“Quem é que tu pensas que és?”
Na dúvida, minto. Digo que penso que sou o que não sou.
E depois passo a ser.
É por isso que já fui mergulhador nas Antilhas, mensageiro
na Índia, piloto da Nasa.
Já fui serial killer em Detroit, pop star na Cochinchina, bombeiro,
chulo, Bispo de Braga.
Já fui diplomata depois de uma crise matrimonial com uma
dona de bar no Arkansas.
Fiz carreira, cheguei a cônsul na Jamaica.
Mas, um dia, numa discussão de trânsito, alguém me
perguntou quem eu pensava que era e passei a ser
investigador científico renomado.
Estava a pesquisar uma misteriosa virose que atacava uma
minoria étnica, quando o meu irritadiço chefe me obrigou a
dizer que eu era um palhaço.
Desde então segui a vida num circo, onde as crianças vinham
rir das minhas piadas.
Viajei meio mundo, fui à Rússia, ao Ceilão, à ex-Jugoslávia.
Casei com a mulher barbada e tive três filhos: um trapezista,
um mágico e um anão.
Mais uns anos de trabalho e conseguiria dinheiro para comprar
a minha própria tenda.
Até que um dia, o domador, numa inexplicável crise de ciúmes
pelo leão, fez-me a pergunta fatídica: “Quem é que tu pensas
que és?”
E então eu respondi que era apenas um publicitário com
pouco menos de quarenta anos, cliente especial de uns dois
ou três bancos, que adora filmes, livros, i-pods e coisas
moderninhas, que não sabe se acredita em Deus, mas que
tem a certeza que Deus acredita nele, que tem poucos amigos
reais e muitos imaginários, que tem medo de chegar ao fim
da vida sem ter feito nada que valha realmente a pena
esquecer, que tem a mania de que é uma daquelas pessoas
sensíveis que a gente encontra nos bares ou naquelas festas
de casamento em que não conhecemos os noivos e que
costuma dizer que o mundo é duro, injusto e cruel, enquanto
pede mais um gin tónico com um ar superior, o tipo de gente
que não dá para confiar, pois ao mais pequeno descuido
apanha a sua alma, arranca-lhe os olhos, e aproveita-se dela
para escrever um conto sem lhe pagar mil contos.
E, o pior, é que dessa vez tenho a impressão de que eu disse
a verdade"



* Edson Athaíde in "O Endireita"

Tuesday, May 13

Não está esquecido

Olá olá
Sei que há já algum tempo que não trago novidades da PETA, não é que me tenha esquecido mas na realidade todas as informações que ultimamente têm chegado até mim referem-se a donativos que são necessários para esta ou aquela campanha. Não as desprezando em detrimento das outras campanhas, porque sei que são igualmente importantes e necesssárias, não penso que tenham a mesma adesão por parte dos leitores deste pequeno blog. Fica no entanto aqui prometido que assim que souber de algo irei colocar aqui para que também vocês possam contribuir e ajudar os vários animais que são maltratados por quem não tem o menor respeito por eles. Afinal a PETA não pára na defesa dos animais e ainda bem que no mundo existe algo ou alguém que seja assim!
De qualquer forma, aqui fica o site se quiserem visitar e conhecer melhor: www.peta.org/

Wednesday, April 23

“' É mais fácil esperar do que desistir. É mais fácil desejar do que esquecer. É mais fácil sonhar do que perder. E para quem vive a sonhar, é muito mais fácil viver. '”




Margarida Rebelo Pinto in Diário da Tua Ausência

Monday, April 21

Durante a Chuva


"Chuva Fraca, Chuva Chata, chuva intensa, chuva que nos prende em casa, ar humedecido, pingos minúsculos, pingos grossos, chuva torrencial, piso molhado, carros devagar, vidros embaciados, chapéus virados, jardim transformado num lago, bancos de praça encharcados e por fim chuva.". Na Colorida Galeria de Arte, na rua da costa do castelo, é assim que é retratada a chuva, não através de palavras que descrevem todos os momentos dotados de uma beleza simplista mas de imagens, fotografias que nos mostram aquilo que já todos conhecemos mas que nos demonstra um novo olhar sobre o que acontece Durante a Chuva. A autoria desta exposição recai sobre dois nomes, Bárbara Piuma e Leandro Charles. Os dois argentinos mostram-nos assim um conceito inovador centrado numa visão real, silenciosa mas ao mesmo tempo "ensurcedora".



A exposição estará aberta até 10 de Maio, de terça a sábado, das 13h30 às 19h na Colorida Galeria de Arte.

Sunday, April 6

Garrafa Coca-Cola




Este texto vai começar de forma diferente, vai começar com um desafio lançado, uma pergunta à qual talvez já saibam de cor a resposta... Imaginem um qualquer corredor de refrigerantes de um supermercado, daqueles que parecem não ter fim e cujas prateleiras se enchem com os mais variados formatos e cores que nos seduzem o olhar... imaginem que nessa imensa variedade de bebidas ali expostas não existem rótulos, não existem marcas, não existem preços, não existem quaisquer outras referências... apenas as cores e as formas. Será que mesmo assim conseguem distinguir uma garrafa de vidro de Coca Cola??
Na minha opinião, todos seriamos capazes de o fazer... afinal crescemos com aquela ideia, aquela imagem, aquele conceito da pequena garrafa de vidro de base meio lapidada e desenhada pelas formas que se adequam à nossa mão!
A Coca Cola é sem dúvida uma das marcas mais conhecidas, líder no top of mind dos refrigerantes, e uma das mais consumidas a nível mundial. Presente no mercado desde 1886,desde o incicio que marcou a sua presença não só pelo sabor e caracteristicas inovadores inerentes ao produto mas também pelo design da sua garrafa que tão bem a define. E quem pensa que a garrafa que envolve o mítico liquido não sofreu muitas alterações ao longo dos tempos que se engane redondamente e veja tanto a primeira garrafa como a sua evolução...
E só a titulo de curiosidade descobri que até serem inventadas as caricas em 1982 foram realizadas cerca de 1500 experiências em rolhas e tampas...

Monday, March 31

U2 3D



http://www.u23dmovie.com/




Uma das maiores e melhores bandas da actualidade apresentou-se esta semana, nos cinemas Portugueses, num conceito completamente inovador. U2, assim se chama a banda nascida nos anos 70, chegam assim a todo o mundo num formato 3D, ou pelo menos a todas as salas equipadas com esta tecnologia. Durante os seus 85 minutos de duração, Bono, The Edge, Adam Clayton e o baterista Larry Mullen Jr. desfilam um sem fim de músicas, entre as quais Sunday Bloody Sunday, Vertigo, One, With or Without You, Miss Sarajevo, Love and Peace e Where the Streets Have No Name, de forma absolutamente fascinante e capaz de contagiar o menor dos fãs da banda. Isto claro nunca esquecendo, até porque fazem questão de nos lembrar, que a sonoridade "rocker" a que já nos habituaram e as letras por demais explícitas dos seus ideais não vêm só e por isso mesmo mostram também aqui a sua activa vertente social e politica que os acompanha onde quer que vão, afinal U2 não é só rock, não é só letras, não é só música, não é só imagem... Mas deixando de parte aquilo que constitui parte da sua essência e regressando ao que nos é apresentado em U2 3D, desde o início, marcado pelos primeiros acordes de Vertigo e pelo som da voz de Bono a lançar o mote com "uno, dos, tres... catorce", que o nosso pé começa automaticamente a agitar-se de forma compassada ao ritmo da música só parando no final, muito depois dos créditos e do regresso inesperado ao palco com yahweh. À saída tanto a música como toda a experiência acabada de viver, essas teimam em ficar presentes na nossa cabeça, afinal não é todos os dias que se assiste confortavelmente ao concerto, no melhor lugar de todos e com Bono e The Edge à nossa frente, literalmente a um palmo de distância. O som é fantástico, o sistema de luzes é brilhante, o cenário é grandioso e o seu enquadramento bastante original, os efeitos, a chama que se acende no centro da plataforma (até pelo momento em que tal acontece), são surpreendentes, o vocalista, mais uma vez Bono, soube utilizar e aproveitar bem o 3D proporcionando momentos de autêntica proximidade e intimidade com o espectador, também com a ajuda da alteração no registo da sonoridade do momento, afinal gira tudo em volta de quatro palavrinhas mágicas See, Hear, Feel, Experience, todas elas centradas em nós, o consumidor... peço desculpa o espectador! Em suma, e no meio de tanta grandiosidade demonstrada e experienciada, a única coisa que deixa a desejar neste "concerto" é a necessidade de auto-controlo para não nos levantarmos do assento, agitar o corpo e entoar todas as músicas "alto e a bom som", é que para os mais distraídos ou até entusiastas aqui fica o aviso, na realidade continuamos a estar na sala de cinema em frente a um ecrã!


Set List do filme:



"Vertigo"

"Beautiful Day"

"New Year's Day"

"Sometimes You Can't Make It on Your Own"

"Love and Peace or Else"

"Sunday Bloody Sunday"

"Bullet the Blue Sky"

"Miss Sarajevo"

"Pride (In the Name of Love)"

"Where the Streets Have No Name"

"One"

"The Fly"

"With or Without You"

Bonus Track: "Yahweh"

Wednesday, March 26

As cores

As cores desempenham um papel importante no nosso quotidiano. Em cada momento há uma cor que sobressai, em cada lembrança existe uma cor que lhe fica associada... a cor do quarto quando acordamos de manhã, a cor do sol no verão, das nuvens no inverno, da camisola que alguem trazia vestida, de uma qualquer parede, de uma alegre fotografia, de um anúncio, a cor de uma empresa que se torna na sua imagem. Há cores com cheiro, cores que são leves ou pesadas, alegres ou monótonas, calmas ou agitadas e por que cada cor tem uma vida e um significado que está escondido aqui ficam algumas definições que encontrei:


Vermelho: simboliza a vida, energia, paixão, sangue, poder, perigo e proibição.

Amarelo: cor da luz e do calor, prosperidade e riqueza (ouro, tesouros), alegria (uma cor muito apreciada pelas crianças), também considerada a cor da doença (bílis, doenças do coração) e da mentira.

Verde: cor do destino, do dinheiro, do acaso e da esperança (esmeralda, o dólar - nota verde, panos de jogos de cartas e de casinos); cor da natureza, ecologia, higiene, saúde, frescura; cor da juventude, permissão, liberdade ("dar luz verde").

Branco: cor da pureza, virgindade, inocência; cor da higiene, limpeza, do frio; simplicidade, discrição, paz (bandeira branca), cor da sabedoria e da velhice (cabelos brancos); ausência de cor (fantasmas, grau zero da cor); cor do divino (anjos, paraíso).

Azul: cor preferida de mais de metade da população ocidental; cor do infinito, do sonho, do longínquo (céu, horizonte); cor da fidelidade, do frio, da água; cor real e aristocrática; cor do conhecimento e da paz (ONU, UNESCO).

Preto: cor da morte, do medo; negatividade, tristeza, solidão, melancolia (pensamentos negros, sombrios); cor da austeridade, renúncia; elegância, modernidade (vestido preto, gravata preta), cor da autoridade (árbitros de desporto, juízes)

Cor-de-laranja: esta cor combina a energia do vermelho e alegria do amarelo; está associada a criatividade, vitalidade, determinação, atracção, sucesso; por ser uma cor cítrica está associada a comida saudável e estimula o apetite.

Cor-de-rosa: simboliza poder, luxo e ambição; combina riqueza com extravagância; está associado a dignidade, independência, mistério e magia.

Cinzento: cor neutra, passiva.

Saturday, March 8

James - Sit Down

James ao vivo "em casa", Manchester a terra que os viu nascer... Lindo e arrepiante!

Sit Down Lyrics

Ill sing myself to sleep

A song from the darkest hour

Secrets I cant keep

Inside of the day

Swing from high to deep

Extremes of sweet and sour

Hope that God exists

I hope I pray

Drawn by the undertow

My life is out of control

I believe this wave will bear my weight

So let it flow


Oh sit down

Sit down next to me

Sit down, down, down, down, down

In sympathy

Now Im relieved to hear

That youve been to some far out places

Its hard to carry on

When you feel all alone

Now Ive swung back down again

Its worse than it was before

If I hadnt seen such riches

I could live with being poor

Oh sit down

Sit down next to me

Sit down, down, down, down, down

In sympathy

Those who feel the breath of sadness

Sit down next to me

Those who find theyre touched by madness

Sit down next to me

Those who find themselves ridiculous

Sit down next to meLove, in fear, in hate, in tears

Down

Down

Oh sit down

Sit down next to me

Sit down, down, down, down, down

In sympathy

Oh sit down

Sit down next to me

Sit down, down, down, down, down

In sympathy

Down

Tuesday, March 4

Lambada

Os anos 80... A minha infância. Ainda que não tenha vivido em cada ano desta década foi sem dúvida uma época que ao longo dos anos, e numa e noutras coisas, se mostrou como bastante relevante. E esta música em especial traz-me lembranças...faz-me lembrar grandes momentos!

Sunday, February 24

Pop Art

Proveniente principalmente da América e da Grã Bretanha, a designação Pop Art surgiu pela primeira vez no ano de 1954 por Lawrence Alloway para designar os produtos de cultura popular da civilização ocidental. No entanto, é apenas no final da década de 50 que se começa a insurgir enquanto movimento artístico. Proveniente do Dadaísmo (Marchel Duchamp), Pop Art é o primeiro de uma lista de vários movimentos artísticos pertencentes à Arte contemporânea e tem como principais artistas Robert Rauschenberg, Roy Lichtenstein e Andy Warhol.
No que concerne ao seu aparecimento, este dá-se por intermédio de artistas que ao estudarem os símbolos e os produtos publicitados nos Estados Unidos começaram a transformá-los e a utilizá-los enquanto temática nas suas obras. Desta forma, os elementos iconográficos constituintes da Pop Art provinham essencialmente da televisão, da fotografia, da banda desenhada, do cinema e da Publicidade. Entre os materiais principais utilizados neste movimento encontram-se tinta acrílica, poliéster, latex, e todos os demais produtos capazes de produzir cores intensas, brilhantes e vibrantes. No que concerne às suas grandes proporções estas ajudavam os seus autores a transformar o Real em Hiper-Real.
Intitulada muitas vezes de vazia, desinteressante e vulgar, na verdade escondia em si um intenso sentido crítico a todo o ambiente e cultura que se começava a instalar na sociedade, a crescente necessidade de consumo, a abundância e a massificação dos produtos são algumas dessas críticas que a ajudaram a compor. Caracterizada por ser uma forma de arte ostentadora e de grande influência no quotidiano desta segunda metade do século, em parte devido à fundamentação dos seus elementos base, a Pop Art
marcou assim o regresso à chamada arte figurativa por oposição à arte abstracta (expressionismo) que se vinha a instalar desde os finais da segunda guerra mundial.





















Autores das obras apresentadas (de cima para baixo):
1 - Roy Lichtenstein;
2 - Andy Warholl;
3 - Robert Rauschenberg;

Saturday, February 23

A noite dos Publidevoradores

A noite dos Publidevoradores, evento de Publicidade que se encontra presente já em mais de 47 países, chegou este ano a Portugal e vai decorrer nos dias 20 e 21 de Abril (um dia para estudantes e outro para profissionais) no grande auditório do ISCTE. Para além do visionamento de mais 5 horas de filmes publicitários, provenientes não só de todo o mundo mas também de várias épocas, existe ainda um concurso para "jovens talentos", e isto tudo claro acompanhado de música e animação. Mais informações estão claro no site do evento: ww.publidevoradores.com.pt.

Thursday, February 14

Understanding




Homens... só mesmo eles loool

Sunday, January 27

Sim


SIM

Sim, sei bem
Que nunca serei alguém.
Sei de sobra,
Que nunca terei uma obra.
Sei, enfim,
Que nunca saberei de mim.
Sim, mas agora,
Enquanto dura esta hora,
Este luar, estes ramos,
Esta paz em que estamos,
Deixem-me crer
O que nunca poderei ser.





(Ricardo Reis)